Cuidado com a super proteção com os filhos!


Proteger os filhos é obrigação dos pais, mas quando essa proteção se torna excessiva, às vezes doentia, o desenvolvimento e crescimento dos pequenos podem ser seriamente comprometidos, mesmo que os pais não consigam enxergar.

Não deixar a criança ir ao chão para brincar em um lugar sujo é bem diferente de não deixar a criança engatinhar na sala de casa ou da madrinha.

Um lugar sujo pode transmitir doenças para seu filho e os pais têm a obrigação de o proteger, mas o chão da casa de quem se conhece não é proteção e sim uma proibição de que a criança explore o ambiente e se desenvolva motora e cognitivamente.

Pais que tiveram seus filhos com idade mais avançada, com filhos temporãos, que tiveram alguma dificuldade com gravidez ou parto ou que trabalham excessivamente são pais mais propensos a superproteger seus filhos.

Os pais superprotetores pensam que estão fazendo tudo de melhor para a sua criança e é claro que não querem o mal dos filhos, mas acabam facilitando demais a vida dos pequenos quando fazem tudo por ele ou o privam de alguma situação que acham perigosa.

Alguns “sintomas” são facilmente notados por quem recebe blindagem excessiva dos pais. A criança que demora a andar, já que os pais não a colocam no chão para estimulá-la com medo de que caia e se machuque ou receosa de que ela leve a mão à boca depois que a colocou no chão.

A criança “preguiçosa” para falar também pode ser conseqüência de superproteção: o pequeno mal aponta para a jarra de água e o copo com água já está na mão. A criança nem teve tempo de tentar falar e o que queria já estava na mão.

Tem como quebrar essa redoma? – Mudanças são sempre difíceis e é só pensar em nós, adultos. Mesmo querendo mudar de casa nosso coração aperta ao deixar um pedacinho da nossa vida na casa que ficou para trás. A criança também.

Andar e falar são mudanças difíceis, e se os pais fizerem tudo por ela ficará mais fácil e não precisará enfrentar as dificuldades como a frustração de cair ao tentar andar e falar errado e não ser entendida. Sabe aquela coisa do “só se aprende errando”?

Com essa atitude superprotetora, os pais vão educando filhos que só pensam no seu próprio umbigo e vontades, sentindo-se o centro do mundo. Além disso, não há quem aguente uma criancinha mimada, com exceção dos pais e das sempre “doces” avós.

“Hoje é difícil dizer um não e ter paciência com o crescimento dos filhos. Muitas vezes, é mais simples interferir para resolver um problema do que permitir que a criança o analise por inteiro e demonstre suas condições de transpô-lo”, relata a psicóloga Marlucia Pessoa.

Caso algo não aconteça do jeito que essa criança quer, ela chora e recua, não conseguindo enfrentar os desafios sem ao menos tentar a possibilidade de desafiar seus limites e viver novas possibilidades.

Assim, as crianças tendem a crescer tiranas com os pais, avós e babás e tentam ser assim com as professoras e amiguinhos, mostrando a dificuldade de se relacionar e enfrentar os obstáculos longe das rédeas dos pais. A criança pode se tornar um adulto mimado, o que se torna mais desagradável ainda.

Ocorre que na fase adulta nem sempre pai e mãe poderão resolver as situações mais embaraçosas.

Algumas dicas

Manter seu filho sob sua vigilância 100% do tempo é motivo para que se torne um adulto inseguro.

Não faça todas as vontades de seu filho só porque não tem muito tempo com ele. Qualidade é melhor do que quantidade de tempo. Um passeio “da hora” em parques ou praias pode valer mais do que um videogame novo.

Uma criança mimada não é somente aquela que recebe todos os presentes que deseja, mas também aquela que tem todos os seus obstáculos tirados do caminho (o que não deixa de ser um presente).

Não interfira nas brigas e desavenças de seus filhos com seus amiguinhos, estimule-os a resolverem as questões diretamente com seus amiguinhos, sem intermediários e de modo civilizado.

Use o bom senso e o equilíbrio. Se tiver alguma dúvida, não sinta-se envergonhado ou constrangido, consulte um especialista.

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